A GRANDE DÚVIDA
...suficientemente forte para vencer isto ?"O futebol não é uma questão de vida ou de morte. É muito mais do que isso !" BILL SHANKLY
Ao décimo quinto minuto o Sporting poderia estar a perder por 0-2, e desse modo, ficar com um pé fora da Champions League. Na primeira jogada da partida a equipa holandesa criou uma flagrante ocasião de golo que só talvez a mãozinha milagrosa de Vítor Damas foi capaz de evitar, e pouco depois foi o árbitro alemão a não ver uma grande penalidade clara cometida por Daniel Carriço, que se acontecesse numa competição portuguesa e fosse o Sporting o prejudicado, daria para conferências de imprensa inflamadas, comunicados da direcção e todo o folclore que já vai sendo a imagem de marca do clube de Alvalade.
Se ao fim desse quarto de hora o empate a zero fosse proposto, talvez tivesse sido aceite por Paulo Bento sem pestanejar. O Sporting parecia atónito perante a afirmativa entrada do Twente, e era dos visitantes que se esperava um golo a qualquer momento.
O lance do penálti mudou o jogo. Não tanto como se tivesse sido convertido, mas o que é facto é que daí em diante o Sporting (em superioridade numérica) se assenhoreou da partida, conquistou todas as segundas bolas, criou ocasiões e só não ganhou por mera infelicidade.
A segunda parte foi de sentido único, ainda que os holandeses acertassem então muito mais as suas marcações defensivas, obrigando muitas vezes a cruzamentos longos, frequentemente enviados directamente para as mãos dum inspiradíssimo Mihaylov. O tempo foi passando, e a última oportunidade acabou por ser do
Twente, a qual, caso se tivesse concretizado, gelaria Alvalade e muito provavelmente decidiria, em larga medida, o rumo da eliminatória.
O 0-0 final acaba assim por saber a pouco, ainda que deixe tudo em aberto para uma segunda mão em que nenhum empate elimina os leões. Sabe-se como as equipas holandesas gostam de atacar de forma aberta, e como o Sporting sabe normalmente aproveitar os espaços no seu ataque.
Em termos de favoritismo daria 60 % ao Sporting. Talvez um nadinha a menos do que antes deste jogo. Mas se o Sporting se apurar, que Paulo Bento não se esqueça deste simpático árbitro alemão.
O Sporting inicia hoje a sua caminhada europeia diante dos holandeses do Twente.
O jogo, pela sua importância, vem cedo demais para a equipa de Paulo Bento, que até agora não conseguiu convencer ninguém de estar melhor do que nas épocas anteriores – condição necessária para alcançar os seus principais objectivos.
Não conheço bem a equipa holandesa, mas creio que, ainda assim, o Sporting é favorito. Digo-o porque o futebol holandês (alegre, aberto e ofensivo) encaixa bem nas características dos nossos jogadores, tendo sido raros os desaires lusos nos últimos anos diante de equipas ou selecções do país das tulipas (ainda no domingo o Benfica ganhou com alguma facilidade em Amesterdão). Além do mais o Twente está longe de ser uma equipa de topo no seu país, e nada garante que o segundo lugar obtido na época passada tenha sido mais do que meramente conjuntural.
Não são contudo de esperar grandes facilidades, nem nesta, nem na eliminatória seguinte, onde o Sporting, caso passe os holandeses, poderá apanhar pela frente o Celtic, a Fiorentina ou o Estugarda (a derrota do Panathinaikos ontem veio mesmo a calhar, pois caso seja eliminado remete o Atlético de Madrid para o grupo dos cabeças-de-série, afastando-o do caminho dos leões). O caminho para a Champions League a partir do segundo lugar está agora bem mais dificultado, motivo acrescido para o Sporting demonstrar mais alguma ambição face ao planeamento das próximas épocas. Até porque, mesmo para ficar à frente do Benfica, parece agora haver necessidade de pedalar um pouco mais.
Por muito que oiça, veja e leia provocações de sportinguistas ao Benfica, por mais que sinta todo o seu ódio, não consigo mesmo assim desejar-lhes mal. Entre a indiferença e o patriotismo encontro um pequeno espaço para desejar boa sorte à equipa de Alvalade, como o faço relativamente a todos os clubes portugueses envolvidos em provas internacionais, à excepção de um.
Uma vitória sem golos sofridos seria o ideal. Mas acredito que mesmo um empate a zero não irá comprometer o apuramento.
Por vezes a realidade ultrapassa as hipóteses menos verosímeis. Disse aqui há uns dias que não acreditava que Keirrison pudesse jogar no Benfica, mas parece que ele vem mesmo a caminho.
Vem por empréstimo (custou 14 milhões ao Barcelona), e aparentemente os catalães vão assegurar-lhe o salário. A confirmar-se o negócio, estamos perante aquilo a que se costuma chamar “uma lança em África” - Keirrison é “apenas” o melhor goleador do futebol brasileiro da actualidade (31 golos no último ano), tem somente 20 anos, e está à porta do Escrete Canarinho.
Não sei se seria esta a maior prioridade do plantel benfiquista. Mas uma oportunidade assim não se desperdiça, a época é longa, e entre Cardozo, Saviola e Keirrison alguém há de marcar golos no Campeonato, na Liga Europa, na Taça de Portugal e na Taça da Liga.
Desde que a chegada do jovem prodígio brasileiro não implique a venda de Cardozo (e o mercado vai-nos pregando surpresas quase todos os dias), trata-se de uma grande notícia para os benfiquistas. Se se adaptar rapidamente, podemos estar perante uma das figuras do campeonato. Uma espécie de Liedson, mas muito mais novo.
iniciativa própria, quer por sugestão (pressão?) de alguns clubes onde jogou, designadamente por via dos respectivos departamentos médicos
Em momento algum refere explicitamente em que clubes tal sucedeu, mas com as pistas que deixa torna-se relativamente fácil compor o puzzle.
Assim, quando diz que o primeiro contacto com o doping foi num clube onde existia “uma grande equipa, um belíssimo treinador e um presidente carismático”, e refere um confronto europeu com um conjunto que tinha três campeões mundiais ao seu serviço, entre os quais “um poderoso avançado no jogo aéreo”, só pode estar a falar do Boavista de 1991-92 - vencedor da Taça de Portugal, orientado por Manuel José e presidido por Valentim Loureiro - e da eliminatória com o Inter de Milão (de Brehme, Matthaus e Klinsmann) para a Taça Uefa.
Quanto ao segundo clube, Fernando Mendes diz tê-lo representado posteriormente, relatando que aí tudo estava ainda mais organizado, havendo inclusivamente informação privilegiada sobre os mecanismos de controlo.
Ao sair do Boavista, o lateral voltou ao Benfica por uma época. Se não havia doping no clube da Luz em 1990-1991, não é verosímil que o houvesse, e de forma tão organizada, em 1992-1993. Excluindo os encarnados sobram E.Amadora, Belenenses, V.Setúbal e F.C.Porto. Se no Estrela Fernando Mendes afirma ter realizado uma das suas piores épocas de sempre, e ao Vitória (que encontrou na II divisão) chegou em fim de carreira, restam apenas Belenenses e F.C.Porto. Fica pois à nossa imaginação qual dos dois teria melhor organização, e um acesso a informação privilegiada das autoridades anti-dopagem."
Não vi a totalidade do jogo do F.C.Porto com o Lyon. Não vi, aliás, a totalidade de nenhum jogo desta pré-temporada, exceptuando naturalmente os do Benfica.
Porém, o que vi da equipa portista chegou para perceber que as suas principais virtudes continuam de pé, independentemente da importância dos jogadores que saíram. E essas virtudes são fundamentalmente duas: organização táctica e poder físico.
Não foi com talento que o F.C.Porto chegou onde chegou. Jogadores como João Pinto, Paulinho Santos, André ou Jorge Costa (e agora Bruno Alves ou Raul Meireles) não eram prodígios de técnica, e a espinha dorsal das equipas portistas sempre se assemelhou mais a um exército do que propriamente a companhia de bailado.
O perfil competitivo do F.C.Porto assentou sempre na capacidade atlética e na agressividade posta em campo, paralelamente com uma disciplina táctica notável e de elogiar. Foi assim que estabeleceu a sua identidade e a sua imagem de marca desde os tempos de Pedroto. Foram essas propriedades - juntamente com os factores externos que se conhecem, mas não vêm ao caso - que levaram o F.C.Porto aos títulos nacionais e internacionais. Foi, sobretudo, com base nelas que ao longo dos anos oitenta se estabeleceu a diferença face ao Benfica (quase sempre com mais qualidade técnica, mas sem a fibra competitiva dos portistas), diferença essa que se foi aprofundando à medida que o amadorismo imperava na Luz. Foi inclusivamente assim que o F.C.Porto se afirmou na Europa, onde, encontrando equipas muitíssimo mais talentosas, poucas vezes terá encontrado conjuntos com o mesmo perfil competitivo.
Essa matriz de agressividade competitiva tem, pelo menos, três vertentes: morfológica, física e mental.
A primeira materializa-se na contratação de jogadores, sendo escolhidos apenas aqueles que possam corresponder ao perfil pretendido. Cristian Rodriguez, Mariano Gonzalez, Hulk, Cissokho entre outros, são exemplos de jogadores de grande pujança atlética, capazes de garantir disponibilidade, agressividade e força (Maxi Pereira seria provavelmente o jogador do Benfica que Pinto da Costa mais gostaria de ter), ao contrário de talentos como Hélder Barbosa, Bruno Gama e outros tecnicistas, formados no clube mas sem robustez para responder às exigências do modelo de base.
Temo que por entre a densa nuvem das questões de arbitragem, e no mar de dúvidas que as prestações de algumas equipas adversárias por vezes levantam, pouca gente no Benfica esteja desperta para estas questões, para a verdadeira força do F.C.Porto, e para as suas consequências nos jogos e nos campeonatos. Aliás, as minhas dúvidas acerca do potencial do actual plantel benfiquista situam-se precisamente aí – noutro país seria sem dúvida um grande plantel, mas em Portugal, no campeonato português, e para se bater com o Porto (e alguns seus sucedâneos), não é seguro que apresente robustez atlética e mental que lhe permita ganhar 15 ou 20 jogos seguidos contra adversários fechados, combativos e violentos, condição imprescindível para se tornar campeão.
Hoje, ao ver a forma como, já em plena segunda parte, e com poucas semanas de preparação, o F.C.Porto pressionava densamente o adversário sempre que este ultrapassava a linha do meio-campo, interroguei-me sobre quantas equipas europeias, nesta fase da pré-temporada, seriam capazes de o fazer daquela forma. Não creio que existam muitas. Interroguei-me se tal seria normal. Tenho dúvidas que seja.
O F.C.Porto não é, efectivamente, uma equipa normal.
Como disse atrás, tem qualidades técnicas, e parece empenhado. Os seus problemas são de velocidade, concentração e posicionamento. Trata-se talvez de uma questão psicológica: querer fazer tudo bem e depressa, para justificar o lugar. É um jovem, e precisa de apoio no interior do grupo e do clube, apoio que no passado não foi dado a jogadores que acabaram por sair do Benfica sem glória, para depois mostrarem grandes qualidades (por exemplo, Bergessio, também argentino, também proveniente do Racing). Talvez fosse benéfico que pudesse entrar na equipa aos poucos. O problema é que no banco está somente… Sepsi. Será que vamos voltar a ter David Luíz encostado à linha?
Muito trabalho portanto para Jorge Jesus. Se o Benfica já empolga a atacar, está ainda muito longe de evidenciar a solidez e a segurança defensiva de um candidato ao título. Mas, com tempo, seguramente chegará lá.
Para já, duas taças já cantam nas vitrinas da Luz. Valem o que valem, mas é muito melhor ganhá-las do que perdê-las. Na próxima semana há mais, com o Torneio de Guimarães, e por fim a Eusébio Cup. Depois tudo terá de estar a postos: dia 15 será a doer.
JOSÉ BETTENCOURT – Se esteve mal na questão dos Juniores, insistindo na tese mistificadora de que a culpa foi exclusivamente dos outros, esteve bem ao centrar a atenção dos sócios sobre o F.C.Porto.
Há muito tempo que não entendo porque motivo o Sporting alimenta tanto ódio ao Benfica, quando quem ganha os títulos é, desde há duas décadas, o F.C.Porto. É algo que escapa a qualquer racionalidade, e que só se explica pela pequenez e por um paroquianismo doentio.
Esta postura do Sporting tem ajudado o F.C.Porto a vencer, e tem adulterado as relações de força desportiva no país. Mas, ao contrário do que possa parecer, o mais penalizado tem sido o próprio clube de Alvalade. De segundo maior clube, o Sporting passou claramente para terceiro, em títulos, em orçamentos, em ecletismo, em adeptos, em militância, em futuro.
Mas que interessa isso a adeptos que apenas querem assegurar que o Benfica continue sem vencer?
MEXIDAS – Nunca mais chega o dia de ouvir Rui Costa dizer “o plantel do Benfica está fechado!”. Ora sai Moretto, ora entra Júlio César, ora sai Urreta, ora entra Marcel, ora sai Di Maria, ora entra Kerrison, ora sai Luisão, e temo que vamos andando assim, entre especulações e negociações, até ao dia 31 de Agosto, numa época de transcendente importância, e quando havia condições únicas para garantir total estabilidade ao grupo de trabalho.
Neste momento Jorge Jesus tem tudo o que precisa para formar uma equipa. Qualquer mexida, daqui em diante, será inútil e prejudicial, levantando novamente muitos dos problemas que condicionaram o Benfica em temporadas anteriores (Simão, Manuel Fernandes, Petit etc).
Mas esta questão leva-nos a outras, de carácter mais amplo:
Se o mercado europeu fecha a 31 de Agosto, não seria melhor começar a Liga apenas na primeira semana de Setembro, como acontece em Espanha e em Itália? Faz sentido jogar futebol em Agosto e não jogar em Junho? Qual a lógica de, após três jornadas da Liga e várias pré-eliminatórias europeias, ainda ser possível alterar plantéis?
PAÇOS DE FERREIRA – Custa a entender como uma eliminatória europeia disputada por uma equipa portuguesa não mereceu qualquer transmissão televisiva, nem sequer um simples relato radiofónico. Eu não tenho nada a ver com Paços de Ferreira (por acaso já pisei o relvado da Mata Real, mas tratou-se de uma situação pontual), mas enquanto português e amante de futebol, gostava de ter visto o jogo.
Ainda na passada semana tivemos, em canal público e a boas horas, transmissões de jogos de várias modalidades entre equipas como Cabo Verde, Macau ou Angola, de uma competição sem qualquer interesse ou audiência, jogada por equipas secundárias, e em estádios completamente vazios. Qual o critério?
Ontem mesmo, à hora do jogo do Paços de Ferreira, a Sport Tv transmitia o particular entre o F.C.Porto e o Dínamo de Bucareste. Do Paços, jogo oficial e decisivo, nem sequer informações em rodapé.
F.C.PORTO – Vi uns minutos do jogo com o Dínamo de Bucareste, e creio bem que alguns dos reforços portistas têm condições de fazer esquecer rapidamente os que partiram. Quem espera um F.C.Porto enfraquecido, pode pois ir desmontando a barraca.
Realce também para os comentários imbecis e completamente parciais de Rui Pedro Rocha, que já se havia “exibido” aquando do Torneio Guadiana. Um verdadeiro cromo, a seguir com atenção.
BLACK OUT – A propósito deste Rocha, devo dizer que pouco me tem espantado a forma como grande parte da imprensa e televisões está a tratar o Benfica nos últimos tempos.
Na sequência dos anti-corpos criados aquando das eleições, muitos são os órgãos de comunicação social a tomarem o clube da Luz e a sua direcção de ponta, e isso tem-se reflectido na cobertura noticiosa da pré-temporada, e em múltiplos outros aspectos do quotidiano informativo. TVI (grupo Prisa); Público (Belmiro de Azevedo); Sol; Sport Tv, O Jogo, DN e JN (Olivedesportos), Correio da Manhã e Record (grupo Cofina), são hoje, por vários motivos, totalmente hostis, ou ao Benfica, ou pelo menos à sua direcção. Resta "A Bola", que com os seus eufóricos e proverbiais entusiasmos garante vendas, mas em nada ajuda o clube.
Talvez este fosse pois o momento de responder à altura. Porque não um Black-Out total à comunicação social, mantendo os sócios e adeptos informados pela Benfica TV, pelo Jornal e pela Revista?
Seria interessante sob o ponto de vista comercial, útil do ponto de vista desportivo, e justo do ponto de vista institucional.
KEIRRISON - Tal como já se esperava, o Record afirma hoje que o Benfica "perdeu na corrida" pelo jogador. Uns lançam os foguetes, outros apanham as canas...
A questão é simples: o Barcelona quer pressionar o F.C.Porto a vender Bruno Alves, baixando o preço da cláusula e emprestando o recém contratado goleador Keirrison. Então lança nos seus jornais (Sport e Mundo Deportivo) o rumor de que o avançado brasileiro está em vias de ser emprestado ao Benfica, de modo a que Pinto da Costa acelere a decisão, com o bónus de receber mais um jogador apontado à Luz.
Com a confirmação oficial do título de Juniores, o Sport Lisboa e Benfica fecha a sua mais bem sucedida temporada desportiva dos últimos quinze anos. Nunca, nesse período, os encarnados festejaram tantas vitórias, tantos títulos, tantos troféus. Recapitulemos:
Há algum tempo atrás, tinha aqui considerado o Benfica campeão oficioso de Juniores. A decisão da FPF vem apenas oficializar esse título.

Ao invés de se satisfazerem com a solução encontrada para um problema concreto da equipa, muitos benfiquistas parecem mais preocupados com o custo da transferência do jovem espanhol.
7 milhões de euros é um valor elevado, mas certamente que o Benfica só o pagou porque o podia pagar, e só o pagou porque não podia trazer o jogador por menos dinheiro. Os dirigentes do Benfica já salvaram o clube da ruína, e como tal merecem (sobretudo na área financeira) todo o crédito dos sócios, da mesma forma que o merecem – e isso é claro – por parte da banca.
A aquisição de um jogador internacional de 22 anos permite, em condições normais, recuperar o valor investido. Além de que, não sendo o valor da compra um custo (mas antes um investimento, o que em termos contabilísticos é totalmente diferente), o mesmo não se reflecte de forma directa na demonstração de resultados, ou seja, no apuramento do lucro ou prejuízo anual. O seu efeito é um aumento do activo e do passivo, precisamente na mesma medida, o que, não sendo totalmente inócuo, também não tem a relevância que por vezes lhe é atribuída pelos leigos.
Simplificando, esta contratação apenas poderia ser um problema financeiro se o jogador viesse a desvalorizar bastante o seu passe, algo que ninguém pode, para já, afirmar como previsível ou expectável. Se aconteceu com Balboa, não aconteceu, por exemplo, com Ramires, que mesmo sem jogar já vale hoje (fruto da presença na selecção) muito mais do que o montante pelo qual foi contratado.
Muitos perguntam: com este dinheiro, porque não ficou o Benfica com Reyes?
A explicação é simples: além de que a necessidade de um médio defensivo se sobrepunha claramente à de mais um extremo, a verdade é que o que terá inviabilizado a manutenção do agora jogador do Atlético foi mais o valor do seu salário (esse sim, um custo financeiro, e com reflexos na gestão do balneário), do que propriamente o valor do seu passe. Não creio que Javi Garcia venha auferir o mesmo que Reyes.
Se o Benfica conquistar o título, serão as receitas da Liga dos Campeões a equilibrar as contas. Se não o conseguir, Javi Garcia terá, em condições normais (sem lesões, mantendo a titularidade, etc), as portas do mercado espanhol sempre abertas, e o valor agora investido poderá, a qualquer momento, ser recuperado.
Mesmo com esta contratação, o Benfica está ainda longe dos montantes investidos nas duas temporadas anteriores. Até agora gastou, no total, cerca de 22 milhões, o que em termos de mercado internacional não é nenhuma fortuna. Não há portanto que dramatizar.
O Benfica precisava de um trinco. Pois aí o tem.
Custa a entender como se fala com tanta insistência da necessidade de o Benfica contratar alguém para a sua baliza, como se só um Buffon ou um Casillas permitissem ao clube chegar ao título, e como se os principais rivais tivessem ao seu serviço guarda-redes de excepção (nem Helton nem Rui Patrício são superiores a Quim ou Moreira). Os guarda-redes do Benfica não são os melhores do mundo, mas não estão atrás, pelo contrário, da qualidade do resto da equipa. Pela mesma ordem de ideias, haveria que prescindir de Cardozo e Saviola, para contratar Drogba e Ibrahimovic, pois só com esses o Benfica teria, na verdade, uma linha avançada de nível mundial.
Um grande guarda-redes custa dinheiro. Assim como custa um grande lateral-esquerdo, e o Benfica contratou aquele que pôde, porque não tinha nenhum. É necessário não ter a memória curta, perceber que a maioria das críticas aos keepers benfiquistas são conjunturais, que uma crise de forma não chega para questionar a qualidade de um jogador, e entender que as prioridades do clube são (eram) outras.
Quim, Moreira e Moretto apenas necessitam de confiança e de tranquilidade à sua volta. Qualquer um dos dois portugueses pode assegurar a baliza do Benfica, e não será por aí que o título fugirá. Moretto dificilmente será titular, mas ainda assim, quando o foi, o Benfica ganhou duas vezes ao Liverpool (sem sofrer qualquer golo) e empatou a zero com o Barcelona.
A questão do guarda-redes é pois uma falsa questão. E espero bem que, com a previsível contratação de Weldon, o plantel fique totalmente encerrado. Para entradas, e sobretudo para saídas, salvaguardando naturalmente uma ou outra dispensa.

Olhando para os montantes envolvidos nas transferências dos principais defesas do F.C.Porto nas últimas temporadas, quanto valerá o central benfiquista, capitão de equipa, referência de balneário e titular da selecção brasileira?
Como diz Ricardo Araújo Pereira, pior que a euforia injustificada da pré-época, só mesmo a depressão justificada da pré-época. Portanto, se os adeptos do Benfica estão a viver um momento de euforia, do mal o menos.
O problema é que aos últimos resultados, designadamente no torneio Guadiana, não corresponderam, de todo, exibições convincentes. É importante ganhar mas, ou eu vi mal, ou os sinais dados não permitem sustentar grandes optimismos.
Se calhar, nesta fase, era impossível fazer melhor. Mas é bom que os benfiquistas percebam que a implementação de novos métodos de trabalho, de um novo modelo de jogo, e a assimilação de novos jogadores, não se faz por magia, sendo natural que nos tempos mais próximos as coisas venham a correr menos bem do que alguns esperam.
A primeira parte do jogo desta noite com o Atlético de Bilbau terá servido para muitos benfiquistas deitarem água na fervura da euforia.
Até ao intervalo, nem a atacar, nem a defender, o Benfica mostrou capacidade para se impor no jogo, indo para os balneários a perder com toda a naturalidade, e por uma diferença que não espelhava – por defeito – o que ia acontecendo no relvado.
Moretto não garantia tranquilidade (que guarda-redes o poderá fazer com a pressão que tem sido exercida sobre eles?), os centrais improvisados faziam o que estava ao seu alcance (e, nos casos de Roderick e Miguel Vítor, ainda é pouco), Sepsi atrapalhava-se a si próprio, Maxi está fisicamente a léguas do que pode valer, Amorim não fechava, e lá mais à frente, Aimar, Martins, Coentrão e Saviola debatiam-se com uma agressiva pressão à qual não conseguiam dar resposta. Cardozo ficava sozinho e perdido na frente. O panorama era desolador.
A segunda parte começou com o golo do empate, que desde logo animou a equipa e as bancadas. Pouco e pouco foi-se também fazendo sentir o défice físico da equipa basca, que conta menos tempo de preparação. O Benfica recompôs as coisas, acabando por chegar à vitória com mais uma demonstração de eficácia de Javier Saviola, que assim se transformou no homem da noite, disfarçando com os seus golos todas as insuficiências demonstradas pelo colectivo.
Para Jorge Jesus terá sido importante verificar as limitações que a equipa demonstrou no primeiro período, pois são essas que carecem de intervenção. É verdade que nem Moretto será o titular, nem a dupla de centrais será aquela. Mas começa a causar estranheza o facto de Shaffer ser preterido em relação a um medíocre Sepsi, e no meio-campo, a cada dia que passa se torna mais clara a falta de um médio-defensivo de qualidade. Mais adiante a preocupação não será tanta, pois quer Cardozo quer Saviola têm marcado golos, e creio que, salvo alguma lesão, o continuarão a fazer. Pablo Aimar, desta vez colocado sob grande pressão, pouco se viu, o que mostra como a sua fragilidade atlética pode ser também um problema para o Benfica, ao longo de um campeonato em que os espaços serão poucos, enquanto a agressividade, a violência e a impunidade serão quotidianas.
Que o Benfica necessita de um trinco não é novidade. Espera-se contudo que isso não signifique a venda de Yebda, que é um bom jogador, tem um poder físico notável, tem um bom jogo de cabeça, pode fazer posições interiores, e é uma excelente alternativa ao titular a contratar. Saindo Yebda, em vez de uma contratação teriam de ser feitas duas, o que não faz qualquer sentido.
José Manuel Delgado escreve hoje em “A Bola” um interessantíssimo artigo a este respeito. Diz ele que Luís Filipe Vieira e Rui Costa estão a três aquisições de formar um plantel de luxo. Eu diria que estão apenas a uma (dispenso o guarda-redes, e creio que Makukula, Marcel ou Adu poderiam servir para 4º avançado), mas o que não pode suceder, de modo algum, é a saída dos principais jogadores. Senão, ao problema criado pela falta de Katsouranis, que está à vista, serão adicionados outros, e tudo irá por água abaixo.
Isto serve para Yebda, mas serve sobretudo para Luisão.
Deve dizer-se que a atitude do Sporting é compreensível numa SAD em situação de falência técnica desde há vários anos, sendo até de apreciar o facto do clube da Alvalade canalizar os seus esforços no sentido de manter os seus principais atletas (Liedson, Polga, Moutinho), promovendo a estabilidade e o crescimento competitivo da equipa, contando para isso com o trabalho de um excelente treinador como é, indiscutivelmente, o caso de Paulo Bento.
O que não deve ser esquecido é que os segundos lugares com que o leão tem andado iludido (mais o facto de ficar à frente do odiado Benfica do que o lugar em si, mas isso é outra questão) não têm significado outra coisa que não uma maior capacidade de se auto-estimular para esses mesmos segundos lugares, face aquela que tem sido a atitude genérica do Benfica, que assim que se sente fora da corrida ao título deixa também de se mobilizar para vencer os seus jogos, algo que atravessa todo o clube, de dirigentes a jogadores, de sócios a treinadores.
Ao longo dos últimos quatro campeonatos, independentemente da forma como eles terminaram, foi do Benfica a maior e mais continuada resistência ao F.C.Porto. Se a edição de 2005-2006 foi marcada pela presença europeia do Benfica (chegou aos quartos-de-final da Champions), e mesmo assim foram os encarnados a ameaçar o F.C.Porto até à entrada da segunda volta, em 2006-2007, por exemplo – época em que a equipa então orientada por Fernando Santos voltou a ter dificuldades a partir de Março em articular a presença europeia com a prova doméstica -, o Benfica teve na Luz a possibilidade de, já em plena segunda-volta, ascender ao comando isolado da classificação, em jogo que acabou por empatar 1-1 frente aos dragões. Em 2007-2008 ninguém ofereceu verdadeira resistência ao F.C.Porto, mas a oito jornadas do final o Benfica aparecia claramente destacado do Sporting, e discutia com o V.Guimarães o segundo lugar, de onde viria a ser retirado por Lucílio Baptista num célebre jogo disputado no Bessa. Na época passada, a equipa de Quique Flores dominou a primeira volta (em conjunto com o Leixões), foi campeão de Inverno, jogou no Dragão a hipótese de ascender ao comando, mas quando perdeu a hipótese de o fazer a queda foi, mais uma vez, total e abrupta, enquanto o Sporting conseguia uma vez mais, mesmo fora do comboio do título, unir esforços e lutar arduamente pela tal vice-liderança.
Resumindo, a regra tem sido a seguinte: enquanto a hipótese do título está em aberto, o Benfica é mais ganhador que o Sporting e ameaça mais o predomínio portista, mas quando ela desaparece, é o Sporting que melhor se consegue adaptar e mobilizar na luta pelo segundo posto. Isto desmente a ideia segundo a qual o Sporting tem sido futebolisticamente superior ao Benfica (a quem, para o campeonato só venceu uma vez desde Janeiro de 2006) nestes quatro anos – a sê-lo, foi-o apenas no modo entusiástico como encarou a luta pelos segundos lugares.
Isto devia também fazer reflectir o clube de Alvalade, que não é campeão vai para 8 temporadas (!), que em 28 anos só o foi por duas vezes, que vê desaparecer adeptos entre os mais novos (que cada vez mais se vão dividindo entre F.C.Porto e Benfica, mesmo a sul do país), mas que parece totalmente satisfeito com o facto de ter terminado os últimos campeonatos à frente do Benfica, mesmo sem lhe ter sido superior na globalidade dessas mesmas temporadas.
2ºFABIAN RINAUDO (Gimnásia La Plata), 22 anos, 1,76m, 1 vez internacional A, muito combativo e forte fisicamente.
3ºGUSTAV SVENSSON (IFK Goteborg), 22 anos, 1,83m, internacional sub-21, revelação do último europeu.
Hipóteses de recurso: Franco Razzotti (Velez Sarsfield), Gabriel Molesan (Cluj) e, porque não, Bruno China (Leixões).
Olhando globalmente para às soluções existentes no plantel benfiquista, e havendo necessariamente que fazer escolhas e proceder a alguns retoques, eu optaria por o ajustar do seguinte modo:
Como já aqui tinha dito, dificilmente estes jogos de preparação – sobretudo os primeiros – dão para perceber seja o que for acerca do rendimento futuro das equipas, por muito que alguns pretendam ver maravilhas em cada passe, em cada lance de ataque, em cada golo marcado, mesmo perante adversários que mal se mexem.
Não é pois uma vitória sobre o detentor da Taça Uefa que me vai fazer embandeirar em arco, escaldado que estou de pré-épocas festivas (empoladas fortemente pela imprensa, sobretudo, há que o dizer, em “A Bola”) seguidas de campeonatos decepcionantes.
Dito isto, importa no entanto salientar aquela que me parece constituir a principal diferença entre o que objectivamente se viu nestes dias, e aquilo que se vira em idêntico período da temporada passada com Quique Flores.
Há um ano, por esta altura, o plantel do Benfica contava com 38 jogadores, e ninguém suspeitava qual o sistema de jogo que iria ser implementado. Aimar ainda não estava garantido, Sidnei não passava de uma mera hipótese, Reyes e Suazo nem sequer eram falados. Trabalhavam normalmente nomes importantes que viriam a sair como Petit, Nelson, Nuno Assis e, mais tarde, Léo. Existia uma indefinição total, indefinição essa que perdurou pelas semanas seguintes e por Agosto dentro.
Neste momento Jorge Jesus está a trabalhar com 27 jogadores (faltam Luisão e Ramires), e não se prevê que possa entrar muito mais gente (talvez mais um reforço). Alguns jogadores serão naturalmente emprestados, mas o plantel parece, grosso modo, definido. O sistema táctico ficou traçado no momento em que Jorge Jesus foi contratado, e os primeiros jogos serviram para mostrar que daí não se devem esperar grandes surpresas.
O Benfica tem pois, neste momento (a um mês do início da competição) um plantel, um sistema e uma equipa, a trabalharem já na criação e aperfeiçoamento de mecanismos de coesão colectiva. Esta é a grande novidade face à época passada.
Não se trata de nada de extraordinário, mas tão somente de algo que Sporting e Porto têm feito nos anos anteriores (há quatro anos que têm os mesmos treinadores, que trabalham da mesma forma, utilizam os mesmos modelos, e, praticamente, os mesmos jogadores), e que qualquer grande equipa deve obrigatoriamente procurar fazer. No Benfica, infelizmente, não tem sido essa a regra, com os resultados que se conhecem.
Espera-se agora que a SAD encarnada e o seu presidente mantenham a promessa de não vender ninguém, de modo a que esta embalagem possa de facto resultar numa melhoria competitiva face a épocas anteriores, e também face a uma concorrência (nomeadamente o F.C.Porto) que, paradoxalmente, parece este ano ainda um tanto confundida.
Talvez por pudor, nenhum orgão de comunicação social refere os nomes dos deputados que, provavelmente à nossa conta, almoçaram com um condenado por corrupção desportiva em plena Assembleia de República.

De notar a retracção do Sporting, que desde 2001 não contrata nenhum jogador por mais de 4, 5 milhões de euros, e curiosamente desde essa época não se sagra campeão nacional.
As exorbitantes verbas encaixadas pelo F.C.Porto não são novidade. Só se estranha como um clube capaz de obter mais de 300 milhões de euros em poucos anos, mantém um passivo de mais de 140 milhões.
FONTE: Futebol Finance